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AXIOMAS DA SOPHIA PERENNIS

  • A distinção entre verdades axiomáticas que se impõem pelos sentidos e podem ser provadas ab extra e aquelas que são axiomáticas por residirem na própria substância da inteligência, verificáveis apenas ab intra, conduz à reflexão sobre o significado da prova enquanto tal.
    • A verificação ab intra possui caráter quase existencial, exigindo a realização de certas condições para que se perceba aquilo que se pretende provar.
    • A possibilidade de ilustrar axiomas metafísicos ab extra por meio da razão fornece chaves para a intelecção direta.
    • A receptividade aos argumentos racionais depende das tendências fundamentais do ser humano, isto é, do que ele é e não apenas do que pensa.
  • A afirmação de uma Realidade absoluta, transcendente, não perceptível pelos sentidos e situada além do espaço e do tempo, mas cognoscível pelo Intelecto puro que a torna presente, implica que sua Infinitude dá origem à dimensão da contingência para realizar o mistério de seu próprio irradiação.
    • A natureza do Bem inclui a tendência a comunicar-se.
    • Deus quer ser conhecido em Si mesmo e também a partir de um outro que não Ele.
    • Tal dinamismo pertence à própria substância da Possibilidade divina.
  • A enunciação a priori dessa Realidade funda-se em um saber que coincide com o próprio ser no Intelecto transpessoal, o qual veicula a Presença imanente da Realidade e constitui a condição mesma da humanidade.
    • O conhecimento dessa Realidade não se reduz a crença, mas corresponde a uma identidade ontológica.
    • O Intelecto transpessoal transporta intrinsecamente a Presença imanente.
    • Sem essa dimensão intelectual, o homem não seria verdadeiramente homem.
  • A inteligência humana, por ser capaz de essencialidade e totalidade, contém em sua substância os dados fundamentais da Sophia Perennis, a saber, a Realidade absoluta como Soberano Bem e sua Infinitude ou Toda-Possibilidade que projeta a Relatividade ou Contingência.
    • O Relativo é prefigurado no Absoluto-Infinito e o manifesta em graus diversos.
    • A projeção cosmogônica, ao afastar-se do Princípio, engendra imperfeição, privação, absurdo e mal.
    • O mal, imagem paradoxal de um nada inexistente, não prevalece contra o Bem, essência do Ser.
    • Vincit omnia Veritas.
  • Em nível mais elementar, o espírito humano comporta axiomas fundamentais que constituem uma teologia inata acerca de Deus, da alma e de seu destino.
    • Existe um Deus onipotente e originariamente benevolente.
    • Deus é Benfeitor e Juiz.
    • A alma é imortal e vocacionada à oração e à virtude.
    • A alma é destinada à Salvação e à Beatitude.
    • Essa estrutura teológica independe da vontade individual.
  • A incomensurabilidade entre o Princípio e a Manifestação não implica separação absoluta, pois a Manifestação é prefigurada na ordem principial e esta se reflete necessariamente na ordem manifestada.
    • O mundo contém modos de Presença divina.
    • O Intelecto divino contém os protótipos dos fenômenos.
    • Deus está presente no mundo pelas coisas sagradas.
    • O mundo está presente em Deus pelas Ideias platônicas.
  • A Manifestação possui simultaneamente caráter positivo por expressar o Princípio e caráter negativo por dele se afastar, sendo contudo positiva em si mesma por realizar o irradiação do Sol divino.
    • A Manifestação é antes um bem com alguns males do que um mal com alguns bens.
    • O Ser é por definição o Agathôn, o Bem supremo.
    • A privação é acidente, enquanto o valor é substância.
    • O Universo não pode originar-se de uma privação.
    • Se o Ser não coincidisse com o Bem, nenhum bem existiria no mundo.
  • Segundo Platão e saint Augustin, a causa do mundo reside na tendência do Bem a comunicar-se, e negativamente na Infinitude do Princípio supremo que implica a possibilidade paradoxal de o Absoluto não ser o Absoluto.
    • Essa possibilidade absurda só pode realizar-se na dimensão ilusória da Relatividade, de Mâyâ.
    • O mundo emerge como possibilidade ambígua dessa dimensão relativa.
  • Filosoficamente, os grandes problemas do Ser e da consciência surgem do preconceito de tratar as raízes da Existência como objetos sensíveis, ao passo que para o gnostique ou metafísico-nato não há problemas, pois o Ser é percebido através dos fenômenos.
    • A percepção do Ser implica saber que o ser cognoscente é aquilo que conhece.
    • O conhecimento coincide com o ser conhecido em nível ontológico.
  • A razão suficiente da inteligência humana consiste naquilo que ela é capaz de atingir, sendo o homem destinado a espelhar o absolutamente real ao conhecer o Absoluto a partir da Relatividade.
    • Tal possibilidade decorre da ilimitação da Possibilidade divina.
    • Conhecer a Realidade total implica conhecê-la totalmente.
    • O conhecimento do Absoluto exige envolvimento integral do ser, incluindo vontade e amor.
    • A certeza desse conhecimento é absoluta porque coincide com Aquilo que é.
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