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ESPERANÇA CRISTÃ DA IMORTALIDADE NA ETERNIDADE

VIDA PÓSTUMA E RESSURREIÇÃO

  • A perspectiva sobre a imortalidade da alma é apresentada a partir do ponto de vista do exegeta moderno Padre Claude Geffre, que expõe a doutrina neotestamentária em contraste com as noções de origem não cristã e com a interpretação reservada por Guénon.
    • O Padre Geffre, dominicano, responde a leitores que, como os “espiritualistas” de outrora, faziam coincidir a fé cristã com a imortalidade da alma.
    • A exposição da doutrina neotestamentária pelo Padre Geffre é considerada um reflexo da verdade evangélica.
  • A doutrina neotestamentária exposta pelo Padre Geffre enfatiza a vida nova em Cristo ressuscitado e a ressurreição dos corpos, sem especulações sobre o estado intermediário da alma separada, afirmando que a noção filosófica de imortalidade da alma não define o modo de existência pós-morte para os que morreram com Cristo.
    • No Novo Testamento, o destaque é a vida nova obtida pela fé e batismo no Cristo ressuscitado.
    • O Novo Testamento testemunha a ressurreição dos corpos no fim dos tempos, mas não especula sobre o estado intermediário da alma após a morte.
    • A partir dessa reserva da Escritura, afirma-se o desconhecimento sobre a permanência de um princípio espiritual imortal separado do corpo.
    • A noção filosófica de imortalidade da alma é insuficiente para definir o novo modo de existência dos que morreram com Cristo.
    • A riqueza do mistério da ressurreição da carne não pode ser reduzida a uma alma imortal que “re-encontra” um corpo.
  • A objeção de que falar em ressurreição como criação nova de todo o homem seria confundir ressurreição com criação e negar a imortalidade da alma é respondida com a concepção bíblica de uma alma mortal como o corpo, que para São Paulo será recriada pelo Espírito vivificante de Cristo, embora o Novo Testamento também testemunhe uma vida com Cristo fora do corpo antes da ressurreição final.
    • Para a mentalidade bíblica, a alma criada por Deus com o corpo é mortal como ele, e morre por causa do pecado.
    • São Paulo ensina que a alma será recriada pelo Espírito vivificante de Cristo ressuscitado.
    • Passagens do Novo Testamento, como a promessa de Jesus ao bom ladrão e o desejo de São Paulo, testemunham uma vida com Cristo fora do corpo antes da ressurreição final.
    • Embora se possa invocar uma doutrina filosófica da imortalidade da alma para explicar esses textos, nem Jesus nem São Paulo pensam numa “alma imortal” no sentido do dualismo platônico.
    • A Escritura leva a confessar a ignorância sobre o modo desse novo ser para quem morreu com Cristo e aguarda, fora do corpo, a ressurreição.
  • A conclusão de que haveria a morte como aniquilamento de todo o homem e ausência de continuidade entre o que morre e o que ressuscita é rejeitada, pois, conforme o ensino de São Paulo, o “espírito” inserido no homem guarda um vínculo misterioso com o Corpo ressuscitado de Cristo, sendo a mesma pessoa espiritual que iniciou a vida nova no batismo que culminará na glorificação final.
    • O “espírito” (pneuma) inserido no homem pela nova criação mantém, para além da morte do corpo terrestre, um vínculo misterioso com o Corpo ressuscitado de Cristo.
    • A mesma pessoa espiritual que inaugurou a vida nova em Cristo no batismo completará sua glorificação com Cristo na ressurreição final.
  • A análise do Padre dominicano, ao final, evoca três noções fundamentais sobre a condição pós-morte: a alma mortal com o corpo, o vínculo póstumo do Pneuma com o Verbo divino e a ressurreição dos corpos como revivificação eterna da “forma santa”.
    • A noção de uma alma mortal juntamente com o corpo, sendo a “carne” compreendendo ambos.
    • A existência de um vínculo post-mortem entre o “Pneuma” e o Verbo Eterno divino.
    • A ressurreição dos corpos, dogma cristão, que implica a revivificação eterna da “forma santa” do corpo e da alma, transformando o corpo em “corpo glorioso” e transcendendo a própria forma, como exemplificado nas aparições de Cristo.
  • O desaparecimento das análises judaicas sobre os enrolamentos anímicos ao redor do corpo e do espírito é apontado como causa das incompreensões contemporâneas, como o dualismo alma/corpo e a noção vaga de “alma” após séculos de imprecisão conceitual.
    • A perda de vista das análises judaicas sobre os enrolamentos anímicos gerou incompreensões.
    • Essas incompreensões incluem o dualismo alma/corpo (por vezes chamado espírito/corpo) e a noção de “alma” como única referência não corporal, cujo significado se perdeu após séculos de errância conceitual.
  • Uma prova da imprecisão conceitual sobre a alma e a vida eterna é encontrada numa declaração recente do magistério romano, que constata o desamparo do povo cristão diante das controvérsias teológicas sobre a existência da alma, a sobrevida e o estado intermediário entre a morte e a ressurreição geral.
    • O documento do magistério romano aborda as controvérsias teológicas amplamente divulgadas, sobre as quais os fiéis não discernem o objeto nem o alcance.
    • Discute-se a existência da alma, a significação de uma sobrevida e o que ocorre entre a morte do cristão e a ressurreição geral.
    • O povo cristão encontra-se desamparado por não reconhecer mais seu vocabulário e conhecimentos familiares.
  • O magistério romano constata a insinuação da dúvida nos espíritos sobre o além-morte, levando muitos cristãos a se absterem de pensar no assunto por receio de questões sobre a existência de algo após a morte e a possibilidade do nada.
    • O documento observa que o dúvida se insinua sutilmente até no mais profundo dos espíritos.
    • Embora na maioria dos casos o cristão não tenha chegado à dúvida positiva, ele frequentemente evita pensar no que segue a morte.
    • Essa abstenção deve-se ao medo de ter que responder a questões como a existência de algo além da morte, a subsistência de algo de si mesmo após a morte e a possibilidade de o nada ser o destino.
  • O remédio indicado pela Sagrada Congregação da Fé para as dúvidas sobre o além consiste no ensino da Igreja em nome de Cristo, que afirma a ressurreição dos mortos e do homem todo, a subsistência de um elemento espiritual consciente (a alma), a existência de um estado intermediário, a fé na felicidade dos justos, na pena eterna para o pecador e na purificação prévia à visão de Deus.
    • A Igreja crê na ressurreição dos mortos, conforme o Credo.
    • A ressurreição é entendida como a do homem todo, extensão da ressurreição de Cristo aos eleitos.
    • A Igreja afirma a sobrevivência e subsistência após a morte de um elemento espiritual dotado de consciência e vontade, de modo que o “eu” humano subsiste, elemento este designado pelo termo “alma”.
    • A Igreja exclui qualquer forma de pensamento que tornaria absurdas ou ininteligíveis sua oração, ritos fúnebres e culto aos mortos.
    • A Igreja aguarda a manifestação gloriosa de Cristo, considerada distinta e diferida em relação à situação imediatamente posterior à morte.
    • A Igreja exclui qualquer explicação sobre o destino pós-morte que retire o sentido da Assunção de Maria como antecipação da glorificação destinada aos outros eleitos.
    • A Igreja crê na felicidade dos justos com Cristo, numa pena eterna para o pecador (privado da visão de Deus e com repercussão em todo o seu ser) e numa eventual purificação para os eleitos (purgatório), prévia à visão de Deus.
  • As afirmações do documento do magistério sobre o estado intermediário suscitam reflexões acerca da subsistência do “eu” humano como “elemento espiritual” consciente, a quem se dá o nome de “alma”, e sobre a existência de um estado distinto entre a morte e a ressurreição, no qual se situam a felicidade, a purificação ou a pena com repercussão em todo o ser.
    • O documento indica claramente que o “eu” humano subsiste após a morte em modo “espiritual”, como um “elemento espiritual” consciente.
    • Embora reconheça os múltiplos sentidos do termo “alma” na Bíblia, a Igreja o utiliza como “ferramenta verbal” indispensável para sustentar a fé.
    • A Igreja crê na existência de um estado intermediário entre a morte e a ressurreição, distinto desta última que é “diferida”.
    • Nesse estado intermediário, situam-se a felicidade do justo, a eventual purificação e a “pena para sempre” para o pecador, com a importante ressalva da “repercussão desta pena em todo o seu ser”.
  • A interpretação da doutrina da Igreja, conforme o Abade Stéphane, indica que, para o cristão, não há perda do “eu” humano com a dissolução do composto orgânico, nem passagem para outros estados cíclicos individuais, mas sim a manutenção do estado individual em modalidade de espera, purgativa ou definitiva, propícia à gestação do corpo de ressurreição glorioso “em Cristo”.
    • No caso do cristão, não ocorre a perda do “eu” humano que se dissolveria com o composto orgânico grosseiro.
    • Também não há passagem do ser para outro estado individual cíclico, como na teoria dos estados múltiplos do ser para tradições não cristãs.
    • Ocorre, em contrapartida, a manutenção do estado individual “bloqueado” em uma das modalidades deste estado, que funciona como crivo para os destinos últimos do ser ou como espera purificadora, daí a ideia de purgatório anímico.
    • Esse “prolongamento” escapa à duração temporal cronológica e constitui um “equivalente” apropriado ao modo sutil, sendo propício à gestação do corpo de ressurreição glorioso “em Cristo”, num processo de “cristificação” que sucede à segunda morte, a qual afeta a alma, impedindo-a de ser considerada imortal, mas sim trans-figurada com o corpo ressuscitado.
  • Na morte corporal do batizado, a alma não se dissolve na “bolha psíquica global”, mas pode morrer definitivamente na terceira nascimento (danação eterna) ou participar da glorificação do corpo ressuscitado, sendo que o corpo de glória é a glória eterna do corpo sutil, de carne e espiritual, implicando uma passagem pela matriz espiritual que gera o Corpo do Ressuscitado, daí o papel da Virgem.
    • Na morte corporal do batizado, a alma não se dissolve na “bolha psíquica global” que alimenta os diferentes psiquismos dos homens.
    • A alma pode morrer definitivamente na terceira nascimento, o que é a danação eterna, o nada, ou participar da glorificação do corpo ressuscitado.
    • O corpo de glória é simultaneamente a glória eterna do corpo sutil, do corpo de carne e do corpo espiritual.
    • A terceira nascimento eterna, a “cristificação” dos eleitos, implica uma passagem pela matriz e pelo útero espirituais que geram o Corpo do Ressuscitado, daí o papel da Virgem.
  • O ponto central a ser correlacionado com o documento da Sagrada Congregação é a “glorificação corporal da Virgem” como antecipação da glorificação destinada aos outros eleitos, o que define a “Vida eterna” assegurada em Cristo, que venceu a morte, sendo a resposta para a diferença de destino entre cristão e não cristão reside no fato de o Verbo ter se feito carne e ressuscitado, estando em todos e todos nele, uma vez por todas.
    • O documento afirma que a glorificação corporal da Virgem é a antecipação da glorificação destinada a todos os outros eleitos.
    • A “Vida eterna”, incluída no símbolo batismal e assegurada em Cristo, “o primogênito dentre os mortos” que “venceu a morte”, constitui a realidade última para o cristão.
    • A diferença de destino entre o cristão e o humano não cristão explica-se pelo fato de o Verbo ter se feito carne, uma vez por todas, e ter ressuscitado com seu corpo, estando em todos e todos nele, também uma vez por todas.
  • Sendo o Verbo o Eterno “Eu Sou”, os “chamados” à sua incorporação que a recusam, ou os batizados que se desligam do Corpo, perdem sua parte no ser e se “aniquilam” na Ressurreição, enquanto para os não cristãos existem outros modos de realização, embora a graça de Cristo os situe na via do Verbo redentor, caso não o repilam.
    • Os “chamados” à incorporação em Cristo que a recusam, e os batizados que se desligam do Corpo pela não configuração a Cristo, perdem sua parte no ser, sua parcela de eternidade, e se “aniquilam” na Ressurreição.
    • Para os que não são de tradição cristã, existem outros modos de realização, embora a graça de Cristo e a noção de “corpo místico” os situe na via do Verbo redentor, a menos que o repilam.
  • Sobre o estado intermediário entre a morte corporal e a ressurreição dos corpos, situa-se um processo anímico que exclui a reencarnação, mas oferece uma possibilidade de purificação e pré-configuração crística, o que a Igreja entende por “purgatorium”, um “estado” de ser sutil, não uma localização geográfica, cuja definição oficial como “processo purgatório” remonta ao segundo concílio de Lyon em 1274.
    • O “purgatorium” é um “estado” de ser sutil e não uma localização geográfica, assim como o “Paraíso”.
    • A noção precisa de purgatório remonta ao início do século XII e sua definição oficial como “processo purgatório” foi dada no segundo concílio de Lyon em 1274.
    • Do sétimo ao décimo segundo século, a ideia de uma purificação pelo “fogo” não era localizada espacialmente nem temporalmente, a não ser em relação à avaliação cronológica dos vivos.
  • A doutrina atual da Igreja sobre o purgatório, resumida por Christian Dugnoc, assenta na convicção de que os falecidos em atitude medíocre não entram no reino sem purificação prévia, e que a intercessão da Igreja tem peso nessa purificação, criando uma solidariedade ativa entre vivos e mortos no âmbito da comunhão dos santos.
    • Os humanos falecidos numa atitude medíocre em relação ao reino não entram nele sem uma purificação prévia.
    • A intercessão da Igreja tem peso no cumprimento dessa purificação.
    • Esses elementos baseiam-se na convicção de que a relação com o reino de Deus no momento da morte não é idêntica para todos, e que as preces dos crentes, em virtude da comunhão dos santos, têm importância real na ascensão ao reino.
  • Três ensinamentos principais podem ser extraídos da noção de purgatório no contexto da comunhão dos santos: a necessidade de um “quadro” operacional para a graça agir para além dos limites do estado corporal; a persistência consciente da individualidade humana entre a morte e a ressurreição para dar sentido ao purgatório; e o caráter provisório do estado intermediário na modalidade sutil, que é comum a uma multidão de outros estados individuais, inferiores ou superiores ao homem.
    • As destinadas póstumas do cristão, dependendo apenas das “dimensões” do estado pneumo-somático, sem transmigração, exigiam que a graça própria ao cristianismo pudesse agir em toda a extensão possível das modalidades do estado individual humano, para além dos limites do estado corporal.
    • A “individualidade humana” deve persistir “conscientemente” e com seu “ego” entre a morte corporal e a Ressurreição, caso contrário o purgatório seria vazio de sentido, e na Ressurreição todo o homem “volta” em corpo glorioso, nada se perdendo do que participa do Ser, sendo este o único sentido concebível para uma “imortalidade da alma”.
    • Durante a estase intermediária, a individualidade humana é mantida provisoriamente na modalidade sutil, que é a manifestação “sutil” própria não só ao estado individual humano, mas também a uma multidão indefinida de outros estados individuais, tanto “inferiores” quanto “superiores” ao homem.
  • O prolongamento do “ego” sutil até a ressurreição representa uma “chance” extraordinária, pois, fora dessa “reserva” própria ao cristianismo, o ser que completa o percurso humano sem a realização passa a outros estados individuais cíclicos com a dissolução do “eu” humano, sem garantia de nascer em posição “central” favorável à realização dos estados superiores.
    • O ser que completa o percurso individual humano sem obter sua “realização” passa para outros estados individuais cíclicos, com seu “eu” humano se dissolvendo na biosfera anímica humana.
    • Num novo estado individual, não há garantia de que se “nascerá” numa posição “central” como a que o homem ocupa no estado individual humano, a mais favorável para a realização dos estados superiores do ser, informais e não manifestados.
  • Os “estados superiores” do ser, acessíveis ao homem no prolongamento sutil post-mortem, são os que a teologia nomeia “angélicos” e todos “recapitulados” na assunção da Virgem, cujo papel intercessor nessa estase de espera da ressurreição é eminente, acrescentando à graça própria de Cristo de forma não concorrencial.
    • Os estados superiores do ser são os que a teologia chama de “angélicos”.
    • Todos esses estados são “recapitulados” na assunção da Virgem, que desempenha um papel intercessor eminente na estase de espera da ressurreição.
    • A Virgem “acrescenta” à graça própria de Cristo, mas de forma não “concorrencial” com o Verbo feito carne, pois ela é a própria carne de Cristo e, na ressurreição, nada pode ser distinguido entre Espírito, alma e corpo.
  • A “libertação” antes da “ressurreição” ocorre na modalidade de prolongamento sutil da individualidade, onde o “tempo” não é o da vida corporal, mas um princípio sutil quase “instantâneo”, como se observa na memória e no estado de sonho, sendo este último o correspondente à modalidade sutil, um mundo de possibilidades onde a ausência do quadro carnal estabilizador torna todas as derivas possíveis.
    • No estado sutil, o “tempo” corresponde simbolicamente ao sempiterno, sem a afetação cronológica e “durativa” do tempo corporal.
    • A “redução” do tempo biológico ao seu princípio sutil quase “instantâneo” permite a cura miraculosa de tecidos orgânicos lesados em centros de influência espiritual.
    • A memória permite repassar eventos em tempo brevíssimo e “deslocar-se” instantaneamente, anulando a distância corporal e topológica.
    • No estado de sonho, o tempo passado ou futuro, a distância espacial e a individualidade autônoma das formas são reduzidos ao mínimo de sua realidade ontológica.
    • O estado de sonho corresponde à modalidade sutil, um mundo sem o quadro carnal estabilizador, onde todas as derivas “involuntárias” do ego são possíveis, exigindo um guia e um “viático”.
  • No mundo sutil pós-morte, os elementos da vida corporal adquirem pleno valor, incluindo ações, pensamentos, a graça dos ritos, os suportes de influência espiritual, as obras de amor desinteressado e a invocação das intercessões celestes, pois é nesse modo que atuam os anjos e os demônios, num campo livre de “relações de força” que dá peso aos elementos propedêuticos.
    • Ações, pensamentos, palavras e desejos criam o “cenário” do sonho dos que dormem aguardando o juízo final.
    • A graça atuante dos ritos, a virtude do batismo e o germe da vida divina são elementos presentes.
    • Os suportes de influência espiritual, como orações, objetos bentos e invocação dos Nomes divinos ou santos, têm importância.
    • As obras de amor a Deus e ao próximo, executadas com o “coração” e sem espírito de proveito próprio, são cruciais, pois implicam a perda voluntária da alma pelo amor divino “desindividualizante”.
    • O apelo às intercessões angélicas e o refúgio virginal, com as orações da Virgem, dos anjos e dos santos, são fundamentais.
    • O mundo sutil é aberto em cima e em baixo, ao contrário do mundo corporal, sendo um campo livre para as “relações de força” onde os elementos da vida corporal têm um peso considerável.
  • A visão da escada de Jacó, no lugar chamado “luz”, simboliza a coluna vertebral que liga o céu e a terra, por onde sobem e descem os anjos, correspondendo aos “estados superiores” do ser, cuja “recapitulação” se dá na plenitude da Virgem pela assunção celeste, sendo ela, verticalmente, o “aqueduto” das graças.
    • A visão da escada angélica por Jacó, no lugar denominado “luz” (alusão ao osso imperecível da ressurreição e à amêndoa da reincorporação), mostra a coluna vertebral ligando céu e terra, com anjos subindo e descendo.
    • Esta “escada” corresponde aos “estados superiores” do ser, na terminologia de Guénon.
    • A “recapitulação” desses estados superiores está em plenitude na Virgem pela assunção celeste da “Gratia plena”.
    • A Virgem é, então, verticalmente, o “aqueduto” das graças, representada na “mandorla”, figura da amêndoa.
  • A “realização dos estados superiores” do ser pode ser obtida durante o prolongamento em modo sutil post-mortem, pois a individualidade permanece no estado “central” próprio à individualidade humana, ao contrário do que ocorreria se passasse a outro estado individual, e a “finitude” desse prolongamento, coincidindo com a ressurreição, assegura a possibilidade da mais alta realização espiritual.
    • A realização dos estados superiores do ser pode ser obtida durante o prolongamento em modo sutil post-mortem, pois a individualidade permanece sempre no estado “central” próprio à individualidade humana.
    • Esse estado central seria perdido se, em vez de prolongado na modalidade sutil, o indivíduo passasse para outro estado individual.
    • A “fim” do prolongamento sutil, coincidindo com a “ressurreição” ou libertação, conserva a possibilidade assegurada da mais alta das realizações espirituais.
  • A conformidade com a perspectiva da Igreja sobre a realização dos estados superiores no estado intermediário é evidenciada na profissão de fé do Papa Paulo VI, que afirma a crença em anjos como “puros espíritos” e na alma espiritual e imortal do homem, cujas almas, associadas aos anjos, contemplam a Deus em graus diversos antes da Ressurreição dos corpos.
    • O Papa Paulo VI, em sua profissão de fé, afirmou a crença nos Anjos como “puros espíritos” e em cada homem como dotado de uma “alma espiritual e imortal”.
    • Ele evocou as almas que contemplam Deus na “Igreja do Céu”, associadas em graus diversos com os santos anjos, e isso antes da Ressurreição dos corpos.
    • Os termos utilizados pelo Papa sugerem a existência de uma alma anímica e mortal, distinta da alma espiritual imortal, e uma contemplação divina angélica em degraus (a escala dos estados superiores do ser).
  • No “sono” do corpo, a individualidade prolongada em modo sutil acede ao mundo intermediário, onde existe um universo espiritual com uma escala de seres de grande beleza e vida que sobem para Deus, oferecendo à individualidade humana, prolongada pela virtude dos sacramentos, a possibilidade de realizar o estado supremo incondicionado através da ascensão dos graus superiores a partir do “centro” do estado humano.
    • A individualidade prolongada em modo sutil, desprovida do peso carnal mas dotada de centros espirituais, acede a um mundo intermediário com um universo espiritual e uma escala de seres que sobem para Deus.
    • A individualidade humana, prolongada na sua modalidade sutil pela virtude dos sacramentos do cristianismo, tem a possibilidade de “realizar” o estado supremo incondicionado.
    • Essa realização se dá graças à ascensão, a partir do “centro” do estado humano, dos diversos graus superiores a esse estado, sem que a individualidade abandone a mesma “base de partida” que foi sua antes da morte corporal.
  • A ascensão angélica, própria do mundo “sutil”, conduz à manifestação angélica informal, sendo que o mundo dos anjos, embora imaterial e de absoluta espiritualidade, pode tornar-se “visível” e manifestar-se aos seres do estado humano grosseiro, e na modalidade sutil do defunto cristão, pode abrir a subida através de seus graus, com os anjos atuando como “alavancas” para içar os eleitos.
    • A fronteira do mundo sutil é a manifestação angélica informal, que, embora imaterial e de absoluta espiritualidade, pode tornar-se “visível” e manifestar-se àqueles que são dignos entre os seres do estado humano grosseiro ou corporal.
    • Na modalidade sutil do defunto cristão, o mundo angélico pode abrir a subida através de seus graus, com os anjos agindo como “alavancas” para içar os eleitos às alturas da virtude.
  • Há uma “eleição” post-mortem que se aplica às almas pneumatóforas, “portadoras do Espírito”, as quais serão cumuladas de bens como a inteligência dos mistérios, a compreensão das coisas ocultas, a participação na cidade celeste e a dança com os anjos, culminando no tornar-se Deus, o que a teologia designa como a identidade suprema ou a libertação.
    • A “eleição” post-mortem aplica-se às almas pneumatóforas, “portadoras do Espírito”, que mantêm uma distinção entre alma e Espírito.
    • Os bens com que essas almas serão cumuladas pelo Espírito incluem a inteligência dos mistérios, a compreensão das coisas ocultas, o partilhar dos dons da graça, a participação na cidade celeste, a dança com os anjos, a permanência em Deus, a semelhança com Deus e, finalmente, tornar-se Deus.
    • Essa descrição teológica corresponde ao que, na Índia, é denominado identidade suprema ou libertação.
  • Na obra de René Guénon, as noções de “salvação” e “libertação” são distintas, sendo a salvação a manutenção do ser no estado individual humano por uma duração indefinida, o que representa um grande vantagem por fixar o ser nos prolongamentos do estado humano e impedir sua passagem para outro estado individual, onde não teria garantia de ocupar uma posição central.
    • A “salvação” não é a “libertação” e mantém o ser em um estado condicionado, com as limitações da individualidade humana, por uma “duração indefinida”.
    • O grande vantagem da salvação é fixar o ser nos prolongamentos do estado humano, impedindo-o de passar para outro estado individual.
    • A passagem para outro estado individual acarreta o risco de não se encontrar uma posição central como a ocupada no estado humano, sendo mais provável encontrar condições periféricas, o que desfavoreceria o desenvolvimento espiritual.
  • A “segunda morte”, temida pelas doutrinas exotéricas, é a dissolução dos elementos psíquicos que leva o ser a necessariamente renascer em outro estado, o que seria redentor se desse acesso a um estado supra-individual, mas este não é o âmbito do exoterismo, sendo que a Apocalipse, ao contrário, evoca uma primeira ressurreição onde a segunda morte não tem poder sobre os que reinam com Cristo.
    • A “segunda morte”, temida pelo exoterismo, é a dissolução dos elementos psíquicos que obriga o ser a renascer em outro estado, uma eventualidade redentora se desse acesso a um estado supra-individual, o que não é considerado pelo exoterismo.
    • Na Apocalipse, a “segunda morte” é mencionada no contexto do Reino milenar com Cristo, onde os que participam da primeira ressurreição não têm poder sobre ela, passando diretamente da morte corporal ao estado de “libertos”.
  • O homem ordinário, incapaz de atingir um estado supra-individual, pode, pela salvação, alcançá-lo ao fim do ciclo humano, conservando o benefício de sua nascença humana, o que o aproxima, de certa forma, da Libertação, embora a união mística, que deixa subsistir a individualidade, seja apenas uma modalidade superior da salvação, separada da Libertação pela extensão dos mundos angélicos.
    • O homem ordinário, incapaz de atingir um estado supra-individual durante a vida ou na morte, pode, se obtiver a salvação, alcançá-lo ao fim do ciclo humano, conservando o benefício de sua nascença humana.
    • O exoterismo propõe uma finalidade de ordem puramente individual, a salvação, inacessível para a maioria dos seus aderentes em termos de realização de um estado supra-individual ou da Libertação.
    • A união mística, embora possa ser vista como uma modalidade superior da salvação, deixa subsistir a individualidade e é uma união exterior e relativa, separada da Libertação pela extensão dos mundos angélicos.
  • Guénon estabelece a necessidade do exoterismo tradicional como condição prévia para se atingir o esoterismo, não podendo o exoterismo ser rejeitado após a iniciação, mas sim “transformado” na medida em que o iniciado se torna apto a compreender suas razões profundas, conferindo às suas fórmulas e ritos uma significação mais importante.
    • A adesão a um exoterismo é uma condição prévia para se chegar ao esoterismo.
    • O exoterismo não pode ser rejeitado após a obtenção da iniciação, assim como as fundações não podem ser suprimidas quando o edifício está construído.
    • O exoterismo deve ser “transformado” na medida correspondente ao grau atingido pelo iniciado, que se torna mais apto a compreender as razões profundas da tradição.
    • As fórmulas doutrinais e os ritos adquirem, para o iniciado, uma significação mais real e importante do que para o simples exoterista.
  • A “transformação” que ocorre na “libertação” corresponde, na ressurreição dos corpos, à sua “transformação” em corpos gloriosos no Verbo divino, o que se relaciona com a noção de “imortalidade” ocidental como prolongação indefinida da vida em modo sutil, distinta da “imortalidade” oriental como eternidade e Libertação, embora esta possa ser virtualmente obtida em uma das modalidades do estado individual humano, evitando-se a passagem por outros estados.
    • A “imortalidade” ocidental, como prolongação indefinida da vida em modo sutil, corresponde à “longevidade” das tradições orientais.
    • A “imortalidade” oriental tem uma significação metafísica, sendo a eternidade, a Libertação, o que está além de todos os estados condicionados.
    • A “libertação” pode sempre ser obtida virtualmente, em espera de efetuação, numa das modalidades do estado individual humano.
    • O ser mantido até a libertação numa das modalidades do estado individual não terá que passar por outros estados condicionados diferentes do estado humano, eliminando o risco de recomeçar e o desconhecimento da posição no novo estado.
  • Até o fim do prolongamento da individualidade em modo “sutil”, garantido pela Boa Nova do Verbo encarnado e ressuscitado, a “segunda morte” para o cristão só intervirá na Ressurreição, podendo ele culminar sua deificação pela incorporação em Cristo glorioso, a “terceira nascimento” na eternidade espiritual, que é a transformação e sublimação das formas no seu próprio princípio.
    • Graças à Boa Nova do Verbo feito carne e ressuscitado, o cristão não tem de considerar a nascimento a outro estado até o fim do prolongamento da individualidade em modo “sutil”.
    • A “segunda morte” do cristão só intervirá na Ressurreição, onde poderá completar sua “deificação” e sublimar a morte psíquica pela incorporação no Cristo glorioso.
    • A “terceira nascimento” na Eternidade espiritual é a nascimento ao corpo glorioso, a “transformação” e sublimação das formas no seu princípio.
  • O que é evitado para o “salvo” é o retorno a uma nova matriz de individuação, mesmo que num plano mais elevado, pois o estado individual humano é coextensivo a todo o universo do homem, que ocupa o centro desse universo, como descrito nos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola.
    • O “salvo” evita o retorno a uma nova matriz de individuação, um recomeço num novo ciclo individual, mesmo que pertencente a um plano mais elevado que o estado individual humano.
    • O estado individual humano é co-extensivo a todo o universo do homem, que está no centro desse universo, sendo seu “eixo vertical”.
    • Os Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola descrevem a posição central do homem, criado para louvar a Deus, com as outras coisas criadas para o ajudar nessa finalidade, e Deus habitando nas criaturas, dando-lhes ser, vida, sensação e entendimento.
  • As equações de Matgioi sobre a passagem de um estado individual a outro, embora sugiram que a morte pode ser vantajosa por coincidir com um estado mais “aperfeiçoado”, omitem que, neste novo estado, o ser não está assegurado de aparecer numa modalidade central, reincidindo nos efeitos temíveis da “segunda morte” que põe fim aos prolongamentos do ser.
    • As fórmulas de Matgioi sobre a passagem de um estado individual a outro superior dão a entender que a morte é vantajosa pela passagem simultânea a um estado mais “aperfeiçoado”.
    • A fórmula omite que, embora mais aperfeiçoado, o novo estado é ainda um estado da manifestação formal individual onde é preciso “nascer” e recomeçar do zero.
    • No novo estado, o ser, que estava na modalidade humana central, não tem garantia de aparecer numa modalidade análoga, reeditando os efeitos redutores da “segunda morte”.
  • Embora haja diferenças entre o ser prolongado na dimensão sutil e o que era antes da morte corporal, tal como a separação da comunicação comum aos seres em estase corporal, a análise permite concluir que a alma não é imortal, podendo tornar-se “alma morta” e aniquilada, mas que, pelo mistério de Cristo, a alma do cristão pode ser mantida até a transformação em Cristo, não conhecendo a “segunda morte” antes da sua transformação.
    • A “alma vivente”, que é a individualidade humana, está encerrada em si mesma e separada da comunicação comum aos seres humanos em estase corporal.
    • A alma não é “imortal”; denominada “alma vivente”, pode tornar-se “alma morta”, aniquilada.
    • Pelo mistério de Cristo, a alma do cristão pode ser mantida até sua transformação em Cristo pela ressurreição, não conhecendo a “segunda morte” antes dessa transformação.
  • O prolongamento da alma não equivale à sua “imortalidade”, pois não exclui a “segunda morte” após a primeira morte do corpo, mas adia essa eventualidade para uma perpetuidade anímica, que é a longevidade em “modo sutil”, constituindo a salvação, objetivo do rito da extrema unção que visa proteger do inimigo e conduzir à vida eterna pelo viático do Corpo de Cristo.
    • O prolongamento da alma é longevidade em “modo sutil”, o que constitui a salvação.
    • O rito da extrema unção tem o objetivo de proteger contra o “inimigo da salvação” e conduzir o ser humano à vida eterna, graças ao viático do Corpo de Cristo.
    • O viático é designado como um remédio eficaz para a eternidade do corpo e da alma.
  • Durante o prolongamento anímico post-mortem, o Espírito (Pneuma) inserido no homem pode manter um vínculo misterioso com o Corpo Ressuscitado de Cristo até a Ressurreição final, em consequência da nova criação e habitação do Espírito de Cristo no homem, que constitui a “Boa Nova”.
    • O Espírito (Pneuma) inserido no homem pela nova criação e habitação do Espírito de Cristo pode guardar, para além da morte do corpo terrestre, um vínculo misterioso com o Corpo Ressuscitado de Cristo.
    • Esse vínculo perdura até a Ressurreição final e a “Vida do ciclo futuro ou século vindouro”.
    • O Pneuma está também ligado, de certa forma, à “identidade” humana do defunto.
  • O que é imortal é a Vida Eterna, daí a ausência de um artigo de fé na imortalidade da alma nos credos cristãos, sendo a esperança cristã e da “alma vivente” ainda não morta aquela de que o “defunto”, após o “desatamento” das três tramas do nó humano, seja mantido em um lugar de paz e frescor, aguardando a ressurreição.
    • A ausência de um artigo de fé na imortalidade da alma nos credos de Niceia-Constantinopla, de Santo Atanásio e dos Apóstolos indica que o que é imortal é a Vida Eterna.
    • A esperança do cristianismo e da “alma vivente” ainda não morta é que o “defunto”, após o “desatamento” das três tramas do nó humano (corpo, alma e espírito), seja mantido em um lugar de “paz e frescor” (lugar de refrigério, luz e paz).
    • Esse estado é uma provação antes da eventual segunda morte e da ressurreição dos mortos no “Corpo glorioso”, que assegura a transfiguração e transformação, ou seja, a transposição para fora da forma e das demais condições da existência individual.
  • Diversas fontes bíblicas, enciclopédicas e dicionários teológicos corroboram a tese de que a noção de imortalidade da alma é de origem grega, não sendo encontrada na Bíblia como um ensinamento didático sobre a distinção entre corpo e alma, onde “alma” designa o homem todo como ser vivente, e a esperança judaica e neotestamentária é a ressurreição dos mortos, de pessoas inteiras.
    • A Enciclopédia Judaica Concisa afirma que a Bíblia não enuncia a doutrina da imortalidade da alma.
    • O Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento esclarece que o Novo Testamento fala apenas da “ressurreição dos mortos” ou “ressurreição dentre os mortos”, sendo os objetos da ressurreição pessoas inteiras.
    • O Dicionário Enciclopédico da Bíblia distingue a noção de imortalidade como produto do espírito grego da esperança da ressurreição como pertencente ao pensamento judaico.
    • A Nova Enciclopédia Católica define que no Antigo Testamento a alma corresponde ao homem todo, ao homem enquanto ser vivente.
    • Georges Auzou, professor de Escritura Sagrada, afirma que o conceito de “alma” como realidade puramente espiritual distinta do corpo não existe na Bíblia.
  • Para a Igreja, embora as análises esotéricas não se imponham para uma catequese popular, a triplicidade corpo, alma e espírito é neotestamentária e não pode ser contestada tradicionalmente, como afirmam os Atos do Vaticano II ao reconhecer no homem uma “alma espiritual e imortal” que atinge o âmago da realidade, pressupondo a existência de uma alma não espiritual e mortal.
    • Os Atos do Vaticano II afirmam que o homem, em sua condição corporal, é um resumo do universo, e que esse corpo, criado por Deus, deve ressuscitar no último dia.
    • O homem atinge o âmago da realidade ao reconhecer em si uma “alma espiritual e imortal”.
    • O texto deixa pressuposta a existência de “uma alma não espiritual e mortal”, uma alma não irradiada pelo Espírito Santo, que só pode beneficiar da “imortalidade” pela “absorção” do conjunto humano em carne espiritual, pela “purificação” do ego anímico.
  • A participação no divino permite a passagem do mortal ao imortal, do temporal ao eterno, pois o homem, dotado de uma natureza inteligente de ordem espiritual, é capaz de atingir a realidade inteligível e, pelo dom do Espírito, contemplar e saborear o mistério da vontade divina.
    • A participação no divino permite a passagem do contingente temporal ao eterno.
    • O homem, por sua inteligência, é capaz de atingir com certeza autêntica a realidade inteligível.
    • Essa natureza inteligente é de ordem espiritual, atraída pela sabedoria, conduzindo o homem do mundo visível ao invisível.
    • Pelo dom do Espírito, o homem pode, na fé, contemplar e saborear o mistério da vontade divina.
  • A declaração da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé de 1976 visa a fortalecer a fé dos cristãos sobre a ressurreição e a vida eterna, pontos colocados em dúvida por controvérsias teológicas, reafirmando o ensinamento essencial da Igreja sobre a ressurreição do homem todo, a subsistência de um elemento espiritual consciente (a alma) e o estado entre a morte e a ressurreição geral.
    • A importância do artigo do Símbolo batismal sobre a vida eterna é fundamental, pois sem a ressurreição todo o edifício da fé desmorona.
    • O documento constata o mal-estar e a inquietação de muitos, com a dúvida se insinuando sobre a existência de algo após a morte e o temor do nada.
    • As controvérsias teológicas, amplamente divulgadas, são parte da repercussão desse mal-estar, deixando o povo cristão desamparado sem seu vocabulário e conhecimentos familiares.
    • A pesquisa teológica não pode ser limitada, mas é preciso fortalecer a fé dos cristãos sobre os pontos postos em dúvida.
  • O ensinamento da Igreja sobre o que acontece entre a morte do cristão e a ressurreição geral é recordado em seus pontos fundamentais: a ressurreição do homem todo; a subsistência do “eu” humano num elemento espiritual (alma); a exclusão de pensamentos que tornem absurdos os ritos fúnebres; a distinção entre a situação imediata pós-morte e a manifestação gloriosa de Cristo; o respeito pelas imagens da Escritura; a fé na felicidade dos justos, na pena dos pecadores e na purificação dos eleitos.
    • A Igreja crê na ressurreição dos mortos, conforme o Credo.
    • A ressurreição é entendida como a do homem todo, extensão da ressurreição de Cristo aos eleitos.
    • A Igreja afirma a sobrevivência e subsistência após a morte de um elemento espiritual dotado de consciência e vontade, de modo que o “eu” humano subsiste, elemento este designado pelo termo “alma”.
    • A Igreja exclui qualquer forma de pensamento ou expressão que tornaria absurdos ou ininteligíveis sua oração, seus ritos fúnebres e seu culto aos mortos.
    • A Igreja, conforme a Escritura, espera “a manifestação gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo”, considerada distinta e diferida em relação à situação dos homens imediatamente após a morte.
    • No ensinamento sobre o destino do homem após a morte, a Igreja exclui qualquer explicação que retire o sentido à Assunção de Maria como antecipação da glorificação destinada aos outros eleitos.
    • Na fidelidade ao Novo Testamento e à Tradição, a Igreja crê na felicidade dos justos que estarão com Cristo, na pena eterna para o pecador privado da visão de Deus (com repercussão em todo o seu ser), e na purificação eventual para os eleitos, prévia à visão de Deus, o que entende por inferno e purgatório.
  • O documento adverte sobre o perigo de representações imaginativas e arbitrárias do além, devendo-se respeitar as imagens da Escritura e compreender seu sentido profundo, pois nem as Escrituras nem a teologia fornecem luzes suficientes para uma representação do além, devendo o cristão manter a continuidade fundamental com a vida presente e a ruptura radical da plena luz futura.
    • É particularmente de temer o perigo de representações imaginativas e arbitrárias sobre as condições do homem após a morte.
    • As imagens empregadas na Escritura merecem respeito, devendo-se compreender seu sentido profundo e evitar atenuá-las, o que esvaziaria as realidades que designam.
    • Nem as Escrituras nem a teologia fornecem luzes suficientes para uma representação do além.
    • O cristão deve crer na continuidade fundamental, pela virtude do Espírito Santo, entre a vida presente em Cristo e a vida futura (a caridade é a medida da participação na glória do céu).
    • O cristão deve discernir a ruptura radical entre o presente e o futuro, pois ao regime da fé sucede-se o da plena luz: estar com Cristo e “ver Deus”.
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