A afirmação de uma Realidade absoluta, transcendente, não perceptível pelos sentidos e situada além do espaço e do tempo, mas cognoscível pelo Intelecto puro que a torna presente, implica que sua Infinitude dá origem à dimensão da contingência para realizar o mistério de seu próprio irradiação.
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A natureza do Bem inclui a tendência a comunicar-se.
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Deus quer ser conhecido em Si mesmo e também a partir de um outro que não Ele.
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Tal dinamismo pertence à própria substância da Possibilidade divina.
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A enunciação a priori dessa Realidade funda-se em um saber que coincide com o próprio ser no Intelecto transpessoal, o qual veicula a Presença imanente da Realidade e constitui a condição mesma da humanidade.
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O conhecimento dessa Realidade não se reduz a crença, mas corresponde a uma identidade ontológica.
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O Intelecto transpessoal transporta intrinsecamente a Presença imanente.
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Sem essa dimensão intelectual, o homem não seria verdadeiramente homem.
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A inteligência humana, por ser capaz de essencialidade e totalidade, contém em sua substância os dados fundamentais da Sophia Perennis, a saber, a Realidade absoluta como Soberano Bem e sua Infinitude ou Toda-Possibilidade que projeta a Relatividade ou Contingência.
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O Relativo é prefigurado no Absoluto-Infinito e o manifesta em graus diversos.
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A projeção cosmogônica, ao afastar-se do Princípio, engendra imperfeição, privação, absurdo e mal.
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O mal, imagem paradoxal de um nada inexistente, não prevalece contra o Bem, essência do Ser.
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Vincit omnia Veritas.
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Em nível mais elementar, o espírito humano comporta axiomas fundamentais que constituem uma teologia inata acerca de Deus, da alma e de seu destino.
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Existe um Deus onipotente e originariamente benevolente.
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Deus é Benfeitor e Juiz.
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A alma é imortal e vocacionada à oração e à virtude.
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A alma é destinada à Salvação e à Beatitude.
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Essa estrutura teológica independe da vontade individual.
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A incomensurabilidade entre o Princípio e a Manifestação não implica separação absoluta, pois a Manifestação é prefigurada na ordem principial e esta se reflete necessariamente na ordem manifestada.
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O mundo contém modos de Presença divina.
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O Intelecto divino contém os protótipos dos fenômenos.
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Deus está presente no mundo pelas coisas sagradas.
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O mundo está presente em Deus pelas Ideias platônicas.
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A Manifestação possui simultaneamente caráter positivo por expressar o Princípio e caráter negativo por dele se afastar, sendo contudo positiva em si mesma por realizar o irradiação do Sol divino.
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A Manifestação é antes um bem com alguns males do que um mal com alguns bens.
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O Ser é por definição o Agathôn, o Bem supremo.
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A privação é acidente, enquanto o valor é substância.
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O Universo não pode originar-se de uma privação.
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Se o Ser não coincidisse com o Bem, nenhum bem existiria no mundo.
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Segundo
Platão e saint Augustin, a causa do mundo reside na tendência do Bem a comunicar-se, e negativamente na Infinitude do Princípio supremo que implica a possibilidade paradoxal de o Absoluto não ser o Absoluto.
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Essa possibilidade absurda só pode realizar-se na dimensão ilusória da Relatividade, de Mâyâ.
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O mundo emerge como possibilidade ambígua dessa dimensão relativa.
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Filosoficamente, os grandes problemas do Ser e da consciência surgem do preconceito de tratar as raízes da Existência como objetos sensíveis, ao passo que para o gnostique ou metafísico-nato não há problemas, pois o Ser é percebido através dos fenômenos.
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A razão suficiente da inteligência humana consiste naquilo que ela é capaz de atingir, sendo o homem destinado a espelhar o absolutamente real ao conhecer o Absoluto a partir da Relatividade.
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Tal possibilidade decorre da ilimitação da Possibilidade divina.
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Conhecer a Realidade total implica conhecê-la totalmente.
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O conhecimento do Absoluto exige envolvimento integral do ser, incluindo vontade e amor.
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A certeza desse conhecimento é absoluta porque coincide com Aquilo que é.