A primeira constatação que deveria se impor ao homem ao interrogar-se sobre a natureza do Universo é a primazia da inteligência, consciência ou subjetividade, e por conseguinte a incomensurabilidade entre essas e os objetos materiais; nada é mais absurdo do que fazer derivar a inteligência da matéria, portanto o mais do menos.
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A verdade do cogito cartesiano não é que apresenta o pensamento como prova do ser, mas simplesmente que enuncia a primazia do pensamento em relação ao mundo material; não foi nosso pensamento pessoal que esteve antes do mundo, mas a Consciência absoluta, da qual nosso pensamento é um reflexo distante.
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A evolução transformante é admitida como postulado útil e provisório, não demonstrado; se se parte da constatação do mistério da subjetividade, é fácil conceber que a origem do Universo é não a matéria inerte e inconsciente, mas uma Substância espiritual que, por coagulações e segmentações sucessivas, produz a matéria.
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A ideia do Grande Espírito e a primazia do invisível são naturais ao homem, e o que é natural à consciência humana, que se distingue da animal por sua objetividade e totalidade, prova ipso facto sua verdade essencial, pois a razão de ser da inteligência é a adequação ao real.
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A Intelecção e a Revelação são sobrenaturalmente naturais ao homem, mas seu rechaço é também uma possibilidade da natureza humana, pois o homem, sendo integralmente inteligente, é integralmente livre, e, único entre as criaturas terrestres, é livre de ir contra sua própria natureza.