A origem imediata da dualidade está nos dois aspectos complementares presentes no Criador, mas a origem primordial não está nos nomes Criador e Senhor por implicarem relatividade de criaturas e súditos, e por isso a doutrina islâmica distingue Nomes não essenciais desses e de muitos outros, e Nomes essenciais da Essência que são puramente absolutos, como Verdade, Um, Autossuficiente, Independente, Vivo e Santo, havendo distinções análogas no
hinduísmo e em outros esoterismos, de modo que a origem e o fim últimos dos pares devem ser buscados na própria Essência, onde a plenitude da complementaridade reside na Unidade absoluta do Si divino além do princípio criador.
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Nomes Criador e Senhor implicando relação com criaturas e súditos.
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Distinção islâmica entre Nomes não essenciais e Nomes essenciais.
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Exemplos de Nomes essenciais: Verdade, Um, Autossuficiente, Independente, Vivo, Santo.
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Distinções paralelas no
hinduísmo e em outros esoterismos.
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Necessidade de precedente puramente absoluto para dualidade complementar no Criador.
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Plenitude da complementaridade situada na Unidade absoluta do Si divino.
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Arquétipo supremo dos pares buscado além do princípio criador.
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O par sujeito–objeto ligado aos pronomes suscita questão sobre o uso de Ele (Huwa) no islã e de Isso/Aquilo (Tad) no
hinduísmo como nomes essenciais da Verdade absoluta, e o arquétipo do par é primariamente o Eu–Tu essencial porque primeira e segunda pessoas se pertencem e tendem a fundir-se, enquanto a terceira pessoa é valiosa para exprimir a incomparabilidade divina e associa-se fortemente à alteridade.
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He (Huwa) como nome essencial na prática islâmica.
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“That” (Tad) como uso equivalente no
hinduísmo.
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Arquétipo primário como Eu–Tu essencial.
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Fusão e pertença recíproca entre primeira e segunda pessoas.
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Terceira pessoa como recurso teológico para incomparabilidade.
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Associação da terceira pessoa com a ideia de alteridade.
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O Sujeito supremo é o Absoluto em sua Pura Ipseidade e não pode carecer de objeto, e a relação Eu–Tu como veículo do amor universal exige presença na Fonte de todas as coisas, tornando metafisicamente necessário que o Si divino possua, como complemento ao Segredo subjetivo, um modo objetivo de manifestação que é a Infinitude, e todo júbilo ou assombro em relações sujeito–objeto encontra plenitude arquetípica na Unidade do Absoluto-Infinito.
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Absoluto como Sujeito supremo.
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Impossibilidade de o Absoluto ser desprovido de objeto.
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Eu–Tu como veículo do amor em todo o universo.
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Necessidade metafísica de complementaridade interna no Si divino.
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Segredo subjetivo complementado por modo objetivo de exibição.
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Infinitude como esse modo objetivo.
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Plenitude arquetípica de alegria e maravilhamento na Unidade Absoluto-Infinito.
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O símbolo Yin–Yang exprime o sentido mais alto dessa complementaridade como figura de forte poder expressivo comparável ao Selo de Salomão, em que o Absoluto é branco e o Infinito é negro e sua unidade é indicada tanto pela figura inteira quanto pelo círculo negro em Yang e o círculo branco em Yin, significando dimensões intrínsecas recíprocas, e a União é também expressa pela atração mútua pela incompletude complementar, aplicando-se o símbolo a todos os níveis do universo e, verticalmente, a dois níveis distintos.
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Yin–Yang como figura de complementaridade suprema.
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Comparação com o Selo de Salomão.
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Branco como símbolo do Absoluto.
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Negro como símbolo do Infinito associado à noite.
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Unidade pela totalidade da figura.
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Círculo negro em Yang como dimensão infinita no Absoluto.
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Círculo branco em Yin como dimensão absoluta no Infinito.
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Atração mútua como sinal de complementaridade para completude.
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Aplicações em todos os níveis e em sentido vertical.
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A Unidade Absoluto-Infinita exclui qualquer “outro” e, contudo, o terceiro pronome não significa apenas alteridade, pois também exprime o que primeira e segunda pessoas têm em comum na Unidade do Eu–Tu absoluto, e a realidade pode ser formulada como Absoluto e portanto Infinito e, sendo ambos sem dualidade, também Perfeito, de modo que Perfeição é consciência partilhada entre Absoluto e Infinito sem separação entre sujeito e objeto, permitindo expressar a Realidade em termos subjetivos ou objetivos e originando Ele ou Aquilo como alternativa a Eu, e a autoconsciência que pergunta “o que sou” pode responder “Sou a Perfeição Absoluta Infinita”, ou “Sou Aquilo”, ou “Sou Ele”, com flutuação constante entre primeira e terceira pessoas no Qur’ān ao falar de Deus.
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Exclusão de alteridade real pela Unidade Absoluto-Infinita.
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Terceira pessoa como expressão do comum entre Eu e Tu.
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Formulação: Deus como Absoluto, portanto Infinito, portanto Perfeito.
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Perfeição como partilha sem dualidade entre Absoluto e Infinito.
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Ausência de separação entre sujeito e objeto de consciência.
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Ele ou Aquilo como alternativa linguística a Eu.
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Autoconsciência implicando pergunta “o que sou” e autoendereçamento correlato.
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Resposta máxima: “Perfeição Absoluta Infinita”.
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“I am That” e “I am It” correlacionados a “I am He” por falta de neutro em árabe.
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Qur’ān com alternância entre “não há deus senão Eu” e “não há deus senão Ele”.
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Como Arquétipo supremo dos pares, a Perfeição Absoluta Infinita pode ser concebida como uma única perfeição com dois aspectos segundo a perspectiva taoista, e também pode ser compreendida como termo tríplice que exprime o arquétipo supremo de todas as tríades, tema anunciado para o capítulo seguinte.
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Concepção taoista: uma perfeição única com dois aspectos.
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Termo tríplice: Absoluto, Infinito, Perfeição.
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Relação do termo tríplice com o arquétipo das tríades.
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Indicação de desenvolvimento no capítulo seguinte.