O conhecimento manifestado nas obras de Helena Blavatsky carece de origem em revelações de Mahatmas autênticos, derivando em realidade de viagens e leituras assistemáticas e mal assimiladas efetuadas pela fundadora.
A cultura da autora é definida como vasta, porém desprovida de rigor metodológico.
Durante peregrinações no Levante com Paulos Metamon, o acesso a bibliotecas de monastérios do monte Athos teria fornecido subsídios para a inclusão da teoria alexandrina do Logos em seus escritos.
A permanência em Nova York possibilitou o estudo de Jacob Boehme, representando o contato mais aproximado com a teosofia autêntica, além de obras de Eliphas Levi, Knorr de Rosenroth e diversos tratados de cabala e hermetismo.
A correspondência de Henry Steele Olcott a Stainton Moses revela a utilização de uma gama diversificada de obras ocidentais como base de estudos para a composição dos textos teosóficos primordiais.
Foram consultados trabalhos de Gougenot des Mousseaux sobre magia e as descrições dos egípcios modernos de Lane.
Entre os escritos mencionados figuram L'Etoile Flamboyante, Magia Adamica e textos herméticos anônimos como The Key to the concealed things.
A influência de obras pouco rigorosas sobre a Índia, como as de Louis Jacolliot, é evidenciada pelas recomendações de Olcott.
A redação de Isis Sem Véu e de A Doutrina Secreta contou com a colaboração direta de diversos indivíduos, o que explica as variações estilísticas que o movimento atribui à influência de diferentes mestres.
Olcott participou da composição da primeira obra, enquanto nomes como T. Subba Rao e outros auxiliaram na segunda.
Episódios de escrita automática ou sonambúlica por parte de Blavatsky são admitidos como possíveis, embora os textos produzidos nestas condições reflitam apenas as correntes de pensamento de seu próprio entorno.
A aquisição de livros raros para a biblioteca da Sociedade em Nova York e o legado de manuscritos do barão de Palmes constituíram fontes materiais essenciais para a fabricação das supostas comunicações dos Mahatmas.
A teoria dos elementais e o conhecimento fragmentário de línguas orientais demonstram a ausência de uma base iniciática tradicional na fundação do sistema.
George Felt é apontado como o provável introdutor da ideia de elementais, atribuída erroneamente aos antigos egípcios.
A ignorância de Blavatsky quanto ao sânscrito é reconhecida por Charles Leadbeater, o que resultou em terminologia confusa e contrassenso constantes na aplicação de termos orientais.
A substituição de nomes sânscritos por equivalentes ingleses por Annie Besant visou mitigar as dificuldades geradas pela terminologia original defeituosa.
A utilização de termos orientais e neologismos forjados serve prioritariamente para conferir uma aura de exotismo e autoridade a concepções puramente ocidentais e modernas.
Vocábulos como Fohat, Devachan e Dhyan-Chohan são identificados como corrupções ou amálgamas híbridos de diferentes línguas sem base linguística real.
A exploração desse exotismo de baixa qualidade atrai uma clientela incapaz de verificar a validade das pretensões doutrinárias, assemelhando-se a um fenômeno de esnobismo intelectual.
Os textos tibetanos apresentados como secretos, tais como as Estâncias de Dzyan e A Voz do Silêncio, contêm interpolações modernas e fragmentos extraídos de traduções acessíveis publicamente.
Partes autênticas dessas obras derivam de traduções do Kandjur e Tandjur publicadas por Alexandre Csoma de Körös em 1836.
O conjunto das obras de Blavatsky é classificado como uma compilação indigesta, caótica e repleta de contradições internas sobre temas fundamentais como a natureza de Deus, o Nirvana e o vegetarianismo.
As variações doutrinárias entre Isis Sem Véu e A Doutrina Secreta são especialmente visíveis no que concerne à teoria da reencarnação, revelando as mudanças de influência sofridas pela autora.
Na primeira obra, influenciada pela Hermetic Brotherhood of Luxor, a reencarnação era rejeitada como uma exceção monstruosa ou erro da natureza.
A posterior adoção do reencarnacionismo como dogma central baseou-se em ideias de socialistas franceses e do espiritismo de Allan Kardec, modificadas para parecerem mais filosóficas.
Alegações tardias de que o texto inicial fora mal compreendido constituem um recurso de má-fé para ocultar a instabilidade das proposições doutrinárias.