Seguem-se algumas críticas tântricas adicionais.
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Num sentido, podemos dizer que o mundo não é absolutamente “real” e que maya, a sua fonte, não é totalmente irreal.
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Um sonho pode ser dito irreal, mas não o poder que o gera.
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Se maya é irreal, de onde vem samsara, ou seja, o mundo finito e em constante mudança?
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Alguém disse: “Se maya é irreal, samsara torna-se real”.
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Isto significa que a irrealidade e contingência dos fenômenos e do devir (samsara) só pode ser sustentada se puder ser demonstrado com sucesso que eles não existem em si e por si mesmos, mas que antes têm a sua fonte e razão de ser num poder superior.
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Se se nega a existência desse poder, de modo algum se pode manter a contingência e irrealidade de samsara.
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Nesse caso, samsara deve ser pensado como uma realidade externa e autônoma, limitando e alterando o princípio supremo.
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De acordo com os Tantras, a única solução para o problema consiste em relacionar maya com um poder, ou shakti.
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Como alternativa à maya misteriosa do
Vedanta, os Tantras falam de maya-shakti, que é uma manifestação da Shakti suprema ou Parashakti.
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Eles até apelam a um significado alternativo de maya, nomeadamente “magia” (maya yoga refere-se a um tipo particular de yoga que persegue fins mágicos).
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Neste contexto, o termo designa uma arte criativa que produz resultados reais e eficazes, em vez da arte que cria truques próprios de ilusionistas e mágicos.
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Uma vez que maya é reduzida a maya-shakti, não há mais necessidade de negar a realidade empírica e considerar tudo como uma ilusão.