A lei natural, embora não codificada, confere às disposições racionais uma qualidade participativa na ordem das coisas, assegurada por uma virtude natural de estima e medida. Essa sabedoria prática, esse senso do possível e do impossível, é insubstituível. Sem ele, a razão legisla no vazio abstrato do a priori, onde tudo é possível e nada é real. Rousseau e
Kant exemplificam essa razão pura, que, desligada das virtudes naturais, produz alienação nas mediações abstratas. Tal racionalismo oferece o “miragem das soluções perfeitas”, que constitui um pecado contra a inteligência.