Nada pode ser compreendido sem que remeta a uma recordação, e nada pode ser admitido sem que se possa aproximá-lo de um precedente conservado na memória, verdade repetida por pensadores de todos os tempos.
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Platão afirma que o conhecimento depende de uma reminiscência.
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Diderot afirma que a palavra dor só começa a significar algo quando faz retornar à memória uma sensação já experimentada.
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Goethe afirma que só se vê aquilo que se conhece.
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Cassirer afirma que não se pode admitir a existência de uma coisa sem que se lhe possa dar uma significação.
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Proust redescobriu essa coincidência de duas experiências afastadas, alargando seu campo até confundir duas ambiências geográficas e sentimentais, dois momentos e duas situações de sua vida, evocados pelo sabor da madeleine de Combray e pelo contato dos calçamentos desiguais de São Marcos.
Toda sensação faz retornar à superfície da consciência um esquema mental esquecido, um signo correspondente a uma impressão já experimentada, permitindo classificá-lo numa estrutura temática da memória, reconhecê-lo e aceitá-lo, operação que Gombrich definiu na frase: decifrar uma mensagem é perceber uma forma simbólica.