A impulsão original de Humboldt é o início de um gesto, o começo de uma mímica inconsciente que os músculos esboçam e que se empresta às coisas, quando na verdade são elas que sugerem o movimento, e a palavra simbólica que reúne essas duas noções contagiosas desempenha o papel mediador de um verbo.
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René
Guénon via na teoria do gesto a verdadeira chave do simbolismo.
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Concebida em sua acepção mais ampla, a teoria do gesto postula a reintegração da continuidade a todos os níveis de um mundo que a física quântica apresenta como dominado pelo descontínuo.
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A ação, imediata por definição, produz seus efeitos em modo sucessivo e só escapa ao provisório graças ao ritmo que comanda os gestos, os ritos e os símbolos.
Guénon afirma haver identidade entre o símbolo e o rito, não apenas porque todo rito é um símbolo realizado no tempo, mas porque o símbolo gráfico é a fixação de um gesto ritual.
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A palavra apresenta um caso ainda mais puro dessa identidade, pois toda palavra ritual é geralmente pronunciada por uma personagem consagrada cuja qualificação não depende de sua individualidade, mas de sua função.
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Essa definição é a mesma que rege o emprego do ator e o papel da palavra.