O primeiro patamar da decadência, que se estende de
Descartes a Baumgarten passando por
Leibniz, conserva certa postura intelectual graças ao espírito positivo e matemático de seus representantes, mas são puros racionalistas: para
Descartes a arte se reduz à ordem e à proporção; para
Leibniz o conhecimento estético é confuso e global.
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O estudante berlinês Amedée Baumgarten criou em 1735 a palavra Estética, formada do grego aisthanasthai, sentir, definindo-a como a ciência do conhecimento sensível, a doutrina das artes liberais, a gnoseologia inferior, a arte de refletir sobre a beleza e a teoria das analogias racionais.
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Baumgarten não pretendia que sua nova disciplina pudesse substituir o simbolismo metafísico, e nos limites de seu programa seguia ainda fielmente a tradição.
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No entanto, o próprio termo que batizou sua criação encerrava o vírus cartesiano do dualismo, a oposição artificial do fundo e da forma, inaugurando involuntariamente a cisão da arte com o espírito; assim a estética nasceu da incompreensão da obra de arte enquanto tal.
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Com
Kant e seu grupo, Schelling, Hegel e Schopenhauer, um novo corte isola a estética do lado da realidade para reduzi-la ao domínio de uma alma autônoma e solitária, sendo que depois de Hegel o formalismo conduzido por Herbart invade a estética, e uma decapitação sucessiva faz cair a obra de arte de seu posto de símbolo ao papel de exteriorização dos reflexos, para reduzi-la à sua própria forma.
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Para
Kant a arte é o revestimento sensível de um conceito; sua Crítica do Juízo é, segundo Schelling, a mais importante das três críticas kantianas, a ponte de realidade que atenua o que sua concepção de um espírito humano perfeitamente desinteressado comportava de absurdo.
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As hipóteses do século XIX quiseram explicar a razão de ser da arte por categorias como o meio de Taine, a biologia e a sexualidade de Freud e o materialismo de Marx, que são decadências progressivas e amputações da verdade original, provocando a inevitável reação sentimental da empatia de Lipps.
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No início do século XX falou-se mais do que nunca de estética, sendo
Bergson, Valéry e Alain estetas em voga.
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Paralelamente a estética tornou-se um capítulo da fisiologia e um anexo da medicina mental.
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Esquartejado entre excessos divergentes, o modesto artesão de outrora e o artista de ontem fazem figura de doente ou de louco.