A ideia de jogo ou divertimento divino está plenamente representada nas
Upanixades e na Bhagavad Gita, embora a palavra lîlâ não apareça; krîd aparece apenas em Chândogya
Upanishad VIII.12, onde o Espírito incorpóreo — asarîra atman — considera-se «rindo, jogando — krîdan — e tomando seu prazer», e em Maitri
Upanishad V.1, onde o «Espírito Universal» — visvâtman — é também o «Senhor Universal do jogo e do prazer» — visvakrîdâratiprabhuh — em que participa sem ser movido.
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A derivação de lîlâ levanta uma questão filológica: se se considerasse apenas a palavra lîlhâ, a derivação de lih — rih —, «lamber», bastaria para confirmar que foi o «jogo» das chamas de Agni o que proporcionou desde o começo um suporte natural para a noção de um «jogo» divino; mas seria impossível derivar da mesma raiz o equivalente lîlâ.
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Lîlâ deve conectar-se com lêlay — «fulgir» ou «tremular» ou «flamejar» —, tema que, como lîlâ mesmo, é pós-védico; e isso dificilmente pode ser outra coisa que uma forma reduplicada de lî — «aderir-se»
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Um desenvolvimento semântico de «aderir-se» a «jogar» não seria inconcebível se se ressaltam os sentidos eróticos das palavras sânscritas
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O St. Petersburg Dictionary afirma que lîlâ se considerou frequentemente como uma corrupção de krîdâ; sugere-se que a raiz é efetivamente lî, mas que a forma da palavra lîlâ pode ter-se assimilado à do equivalente krîdâ
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O verbo lelây apresenta usos interessantíssimos: em Mundaka
Upanishad I.2.2, yadâ lelâyate hy arcih — «tão logo a ponta da chama arde para cima» —; em Shvetâsvatara
Upanishad III.18, hamso lelâyate bahih — «para fora revoloteia o Cisne» —, isto é, o Senhor — prabhuh —, a Pessoa, o Espírito — atman —, Brahma enquanto Pássaro-Sol.
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Em Jaiminîya
Upanishad Brâhmana I.45.1–6, o Indra solar «nascido aqui de novo como um Rishi, um fazedor de encantamentos — mantrakrt —, para a guarda — guptyâi — dos Vedas», quando vem como o Udgîtha, «ascende daqui ao mundo da luz celestial e arde sobre a cabeça» — upari murdhno lelâyati —; de forma semelhante, o Sâman em I.51.3 «avançou para lá e se deteve chameando» — lelâyad atishthat.
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No Lalita Vistara I, p. 3, quando o
Buda está em samadhi, «um Raio, chamado o “Ornamento da Luz da Gnose” — jñânâlokâlankâram nâma rasmih —, procedente da abertura na protuberância craniana — ushrîshavivarântarât —, joga sobre sua cabeça» — uparishtân murdhnah… cacâra —, o que é manifestamente a prescrição iconográfica subjacente à apresentação de uma chama que se faz sair da coroa da cabeça em muitas figuras tardias do
Buda.
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Saddharma Pundarîka — tr. H. Kern, Oxford, 1884 — pergunta: «Por razão de que gnose — jñâna — é que a protuberância craniana — murdhnyushrîsha — do Tathâgata brilha — vibhâti?»
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Bhagavad Gita XIV.11: «Quando há gnose, a luz brilha para fora — prakâsa upajâyate jñânam yadâ — dos orifícios do corpo, e então se sabe que o “Ser amadureceu” — vrddham sattvam»
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Santo
Tomás de Aquino — Summa Theologica III.45.2c: «A refulgência corporal é natural em um corpo glorificado… mas milagrosa em um corpo natural»
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O Râga Dîpak é célebre como uma melodia que é literalmente uma iluminação e pode consumir o cantor em sua chama; no texto hindi diz-se que «Dîpak se recria — kêli karata = krîdatí —, Dîpak é um rei, que exibe a plenitude da beleza e sobre cuja cabeça brilha uma chama tremulante» — bigala bijotî mastaka ujiyârî
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Atos 2.3–4: o Espírito se aparece aos Apóstolos na forma de «línguas de fogo partidas e se pousou sobre cada um deles. E eles… começaram a falar com outras línguas, segundo o Espírito lhes dava a exprimir»