====== NOTA SOBRE O ELEMENTO FEMININO NO MAHAYANA ====== * A personificação da mais elevada disciplina espiritual na divindade Prajnaparamita revela a função virginal e materna da beatitude preexistente, sendo esta venerada como a Mãe de todos os Budas e associada analogicamente à deusa Tara e à rainha Maya no contexto da manifestação da graça salvífica. * Identidade entre a Sabedoria Transcendente e a Tara Branca. * Títulos mongóis e tibetanos de Dara Eke e Dol-Ma como Salvadora. * Correspondência entre o Buda histórico e o Buda absoluto ou Adi-Buddha. * Emanação da potência complementar do Nirvana através da figura materna. * A coincidência paradoxal entre a ascese intelectual viril do Conhecimento e o simbolismo feminino explica-se pela presença necessária da Beatitude no cume da abstração e pela distinção fundamental entre a feminilidade biológica samsárica e a feminilidade-princípio de essência nirvânica e divina. * Aplicação do princípio de que os extremos se tocam. * Correlação com os termos vedantinos Sat, Chit e Ananda. * Interpretação do desprezo pela feminilidade na Terra Pura como superação de servidões fisiológicas. * Dupla perspectiva da mulher como agente de sedução ou como realidade positiva de misericórdia. * Caráter feminino da alma diante do Céu e masculino na analogia participativa. * A tendência esotérica de internalizar a feminilidade em vez de rejeitá-la manifesta-se no simbolismo conjugal do Vajrayana, onde a união entre o meio hábil e a sabedoria representa a aniquilação das polaridades na não-dualidade suprema e o despertar da essência transpessoal pelo Logos. * Fenômeno do casamento de adeptos em linhagens japonesas e tibetanas como a de Shinran. * Asexualismo entendido como afirmação da vacuidade. * Par upaya-prajna simbolizando a relação entre método e conhecimento. * Equivalência com a união entre Vazio e Forma ou Nirvana e Samsara. * Doutrina Shingon sobre a natureza búdica latente ignorada pela criatura.